terça-feira, 26 de maio de 2015

Cactus

   Me enveneno com café dia após dia. Ande rápido na rua, desvie dos obstaculos (ou "pessoas", se preferir), contato ocular, contato ocular, vamos!, contato ocular. Olhou, olhou, olhou e lá se foi mais um par de olhos verdes. Em dias assim, amores de calçada sempre me deixam um furo no peito. Em dias como esse o café tem um gosto mais forte do que o de sempre. Lavo o rosto oleoso e estou ali no espelho. Gosto de pensar que sou um cactus. Longo, poucos espinhos e sozinho. Sabe aquele amontoado de cactus no meio do nada? Não estou lá. Um único e pálido cactus no meio de tudo. Pegue um facão, corte meu braço, e beba meu espresso.

   Apesar de tudo, crescem flores bonitas de cheiro forte em mim.

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